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domingo, 2 de junho de 2013

Um domingo diferente

Olá, queridos amigos! 
Domingo lindo, fizemos um programa diferente. 
Duda teve aula normal e fui junto para acompanhar como anda o desenvolvimento dela com as tarefas e brincadeiras. 
 Fiquei na sala observando o tempo todo, e durante a refeição fiquei atrás de um espelho sem que ela pudesse me ver. 
 O desenvolvimento dela desde o início foi realmente assustador. O comportamento dela sem mim é totalmente diferente. Isso já é um sinal de maturidade, ela já sabe distinguir como deve agir na escola e como pode ser mais "relaxada" em casa. 
 Atualmente, um dos problemas em casa é na hora da refeição. Ela recusa o talher e usa as mãos pra comer quase tudo. Só utiliza quando é algum caldo ou sobremesa. Ou seja, ela sabe usar mas não usa. Ela ainda brinca muito com o alimento antes de comer. Isso quando não resolve jogar alguns pro alto ou mergulhar a carne dentro do copo (nem sempre minhas táticas funcionam!hahaha). E mesmo depois de tanta bagunça, ela come. 
 Hoje, na hora do almoço, fiquei observando através de um espelho (em cada sala dessa escolinha tem um espelho falso pros pais observarem sem serem vistos) e fiquei impressionada. Não acreditei no que meus olhos me mostravam. o.O 
 Duda usou o talher durante toda a refeição e não fez bagunça. A professora me disse que não é sempre assim, mas ela se esforça pra usar. Minha missão é continuar tentando o talher em casa, até ela entender que tem que usar em qualquer lugar. 
 Uma hora antes do término da aula, deixei ela na sala com a professora e fui, juntamente com as outras mães e a tradutora Leandra (que além de ser tradutora tem me ajudado demais e eu só tenho a agradecer), assistir à palestra de uma das psicólogas que trabalham lá. O ponto principal foi sobre como estimular o desenvolvimento. 
 Repreender quando necessário e caprichar nos elogios quando notar qualquer evolução, por menor que seja. 
 Acho que o maior desejo da maioria dos pais, foi que gostaria muito que os filhos se comunicassem verbalmente. Que começassem a falar. E ela explicou que pra isso acontecer eles vão precisar passar por todo o processo que antecede a fala, e principalmente, que eles precisam sentir a necessidade de interagir com outras crianças. E quem convive com um autista sabe o quanto isso é difícil, mas não é impossível. 
 Outro ponto importante: Quando for repreender, usar apenas uma palavra e caprichar na expressão facial. Aqui em casa, quando dou bronca na Duda, me ajoelho na frente dela e falo "DAME" ou "SHIMASEN"  ("não pode" em japonês), e capricho na cara de brava. 
 Até uns meses atrás, Duda não reconhecia expressão facial, hoje em dia ela já reconhece e em alguns casos eu nem preciso falar, só chamo ela e olho feio. Funciona. 
 O que não pode acontecer é você dar a bronca usando um tom de voz de quem está bravo e sua expressão facial não corresponder. Isso causa uma confusão interna muito forte. 
 E da mesma forma que aplicar a bronca, aplique o elogio. Bata palmas, sorria e faça bastante bagunça pra criança notar que acertou em algo. 
 Ela citou uma frase usada na escola e em outras escolas também: "O reconhecimento e elogio educam." 
 Ela deixou um conselho para as mães que notam algo de diferente no desenvolvimento do seu filho. 
 Mães, pais e responsáveis: Procurem ajuda, porque muitas vezes, uma pessoa de fora consegue enxergar o que nós, mesmo convivendo dia a dia com os pequenos, não notamos. Por isso a importâncias dos exames periódicos que fazemos nas crianças aqui no Japão. 
 Agora, na minha experiência pessoal, os principais sinais que me alertaram foram: Duda não apontava pra nada, não fazia "tchau", não olhava nos olhos e nem olhava ao ser chamada. Isso bem novinha, antes dos 18 meses de vida. Com o passar do tempo veio a preocupação com a falta de comunicação. 
Não me refiro especificamente ao autismo, mas a qualquer deficiência/distúrbio que possa ser, quanto antes o acompanhamento profissional, melhores serão os resultados. 

 Um bom fim de domingo pros amigos no Japão e um ótimo domingo pra quem está em qualquer parte do mundo.
 Um grande beijo no coração! 


Esse foi um dos trabalhos que Duda fez. Conseguiu colar nos lugares certos os olhinhos, boca e bochechas do sapinho. ^__^





2 comentários:

  1. Belíssima sua iniciativa! Muitas vezes os pais criam o próprio preconceito contra seus filhos, morei no Japão por quase 18 anos e a assistência para todos os casos existe , mas muito por algum motivo não procuram e deixam de encarar de frente qualquer situação por menor que seja! Um grande abraço , Vanessa e Duda

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    1. Oi, Susy! Sim, infelimente o preconceito vem da família, e isso torna as coisas mais difíceis ainda. Vamos tentar espalhar informação pra ver se isso muda!
      Obrigada pela visita!
      Beijo!

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